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Projeto do Subsistema de Estruturas

Definição de critérios de avaliação dos materiais

Na tabela abaixo, estão listados os critérios definidos e as pontuações para cada requisito e por fim o peso definido pela soma das pontuações:

Critério RF1 RF2 RF3 RF4 RN1 RN2 Peso
Possui normas nacionais para especificar seu uso? 1 1 1 1 0 0 4
Possui embasamento literário extenso para os cálculos? 1 1 1 1 0 0 4
Objeto disponível no laboratório? 0 0 0 0 1 1 2
Possui vasta aplicação industrial no contexto de estruturas? 1 1 1 1 1 1 6
Tabela 1 - Critérios para cada requisito de estruturas
Fonte: Autores.


Projeto da Estrutura Interna da Estufa Hidropônica

O projeto da estrutura interna foi desenvolvido de forma a atender às necessidades específicas de uma estufa hidropônica, com foco na eficiência e funcionalidade. O material escolhido para a construção foi o PVC, principalmente devido ao seu baixo custo, facilidade de manuseio e ampla disponibilidade no mercado. Essas características foram fundamentais para garantir um projeto economicamente viável e prático para implementação.

Estrutura interna

Divisão da Estrutura Interna

A estrutura interna é composta por duas partes principais: o apoio e a serpentina superior:

Apoio

O apoio é responsável por sustentar toda a estrutura e foi construído com tubos de PVC de 20 mm. Ele foi projetado para garantir estabilidade e fornecer a inclinação necessária para o funcionamento eficiente do sistema hidropônico. A inclinação da estrutura é cuidadosamente calculada, com a extremidade mais alta possuindo 300 mm de altura e a mais baixa 200 mm, resultando em um ângulo aproximado de 9,5 graus.

Essa inclinação auxilia no fluxo gravitacional da solução nutritiva, permitindo que ela se mova de maneira contínua e natural ao longo da serpentina. Além disso, o apoio foi reforçado com conexões sólidas e precisas para suportar o peso da serpentina, da água e das mudas, garantindo durabilidade e segurança durante o uso.

Apoio da estrutura interna

Serpentina

A serpentina superior, feita com tubos de PVC de 40 mm, foi projetada para acomodar as mudas e distribuir uniformemente a solução nutritiva. Sua configuração em forma de serpentina otimiza o uso do espaço interno da estufa, permitindo que um número maior de mudas seja cultivado em uma área compacta.

Os tubos possuem furos estrategicamente espaçados, onde cada muda é posicionada. Essa disposição garante que todas as plantas recebam uma quantidade uniforme de água e nutrientes, promovendo um crescimento saudável e homogêneo. A configuração em serpentina também reduz a velocidade de circulação da água, provocando uma perda de carga intencional, que dá às raízes das plantas tempo suficiente para absorver os nutrientes presentes na solução.

Serpentina

Design Modular e Componentes

O design da estrutura foi desenvolvido de forma modular, facilitando a montagem, manutenção e possíveis adaptações. A estrutura é composta por duas partes principais, cada uma com seus próprios componentes específicos:

Apoio Interno:

  • Conexões do tipo joelho de 90 graus: Feitas em PVC com espessura de 20 mm..
  • Tubos de PVC de 20 mm: Com diferentes comprimentos.
  • Conexões do tipo "T": Também em PVC com espessura de 20 mm.

Serpentina

  • Conexões do tipo joelho de 90 graus: Feitas em PVC com espessura de 40 mm, utilizadas para criar as curvas no formato de serpentina.
  • Tubos de PVC de 40 mm: Com comprimentos variados.

Os detalhes completos sobre as dimensões, quantidades e especificações técnicas dos componentes podem ser consultados nos desenhos técnicos associados ao projeto.

Configuração e Funcionalidade

A estrutura interna da estufa foi projetada com uma baixa inclinação e no formato serpentina, visando otimizar o fluxo da água. Essa configuração permite que a água circule de maneira mais desacelerada, resultando em uma perda de carga considerável.

A desaceleração é essencial para assegurar que as mudas tenham tempo suficiente para absorver os nutrientes presentes na água. Dessa forma, essa abordagem visa encontrar um equilíbrio eficiente entre o fluxo hídrico e a absorção de nutrientes, promovendo um ambiente adequado para o crescimento das mudas.

Projeto da Estrutura Externa da Estufa Hidropônica

A crescente demanda por sistemas agrícolas eficientes e sustentáveis impulsiona a adoção de tecnologias inovadoras, como a hidroponia. Nesse contexto, este projeto apresenta o desenvolvimento de uma estrutura externa para uma estufa hidropônica, destacando-se pela integração entre eficiência, funcionalidade e acessibilidade.

O material escolhido para a construção da armação da estrutura é o Aço-Carbono que compõe tubos de metalon, nesse caso de seção quadrada de 20 mm. Este material é amplamente reconhecido por suas características que atendem às necessidades deste tipo de aplicação. A escolha baseia-se em vantagens como facilidade de aquisição por ampla disponibilidade no mercado, alta resistência mecânica, pouca deformabilidade e custo acessível. Caso haja preocupação com ferrugem, é possível reverstir o material com tintas anti-corrosivas ou galvanização. Esses atributos fazem do metalon uma solução ideal para garantir durabilidade e viabilidade econômica ao projeto, alinhando-o às práticas sustentáveis e acessíveis.

A proposta tem como objetivo criar uma estrutura que otimize o ambiente interno da estufa, promovendo as condições necessárias para o crescimento eficiente das culturas, ao mesmo tempo em que garante a segurança doméstica e a facilidade de armazenamento em ambientes internos, essenciais para a popularização da hidroponia como prática agrícola moderna. O projeto será desenvolvido com foco em simplicidade e segurança, por já atender às configurações espaciais necessárias para germinação das plantas cultivadas.

Configuração e Funcionalidade

A estrutura externa foi desenvolvida com foco em simplicidade e eficiência estrutural, equilibrando peso total e resistência mecânica. As tubulações de metalon foram posicionadas de forma a permitir fácil acesso ao interior, isto é, com espaço suficiente para visualização e manuseio das plantas, caso necessário.

Design Completo e Componentes

A estrutura externa é composta por:

  • 4 tubos verticais de 1 m de comprimento;
  • 9 tubos horizontais de 0,75 m de comprimento;
  • 4 paredes de Madeirite coladas a manta térmica no interior, para garantir leveza, impermeabilidade e refletividade;
  • 1 base em metal revestido apoiado em poliestireno, para apoio dos componentes internos, como apresentado na figura 1;
  • 1 chapa de ACM de 0,75 x 075 m de comprimento para apoio do led;
  • 1 chapa de comprensado de 0,75 x 0,75 m de comprimento para o topo;

Diagrama de componentes da arquitetura de estruturas

Figura 1 - Estrutura externa
Fonte: Autores.

Simulações Numéricas Estruturais

Devido à complexidade dos cálculos estruturais analíticos e à razoável simplicidade estrural, optou-se por fazer simulações numéricas com métodos dos elementos finitos utilizando o módulo Static Structural do software Ansys Workbench 2024R2. Os critérios foram avaliados em relação ao escoamento do aço-carbono e ponto equivalente a isso para o PVC.

Estrutura Interna

Para as condições de contorno da estrutura interna, foi considerado o contato com a base da estrutura externa por um apoio que restringe movimentos em todas as direções. Já para as condições de carregamento, considerou-se a ação da gravidade e o peso das plantas em cultivo. Essas plantas tem peso médio menor que 400g, e por isso esse é o peso considerado no carregamento.

A criação da malha foi feita por métodos MultiZone a fim de obter melhor uma qualidade de elementos dentro do possível para a geometria da tubulação.

Os resultados de tensão equivalente e deformação total não configuram criticidade à estrutura, garantindo a integridade da estrutura interna. Esses resultados estão nas figuras abaixo.

Deformação total da estrutura interna Tensão equivalente da estrutura interna

Estrutura Externa

Para as condições de contorno da estrutura externa, foi considerado o contato com o chão como um apoio que restringe movimentos em todas as direções. Já para as condições de carregamento, considerou-se a ação da gravidade, o peso da estrutura interna, incluindo as plantas e reservatório, o peso da ventoinha e o peso da placa central de eletrônica. Além disso, por se tratar de um produto para uso doméstico, considerou-se a força equivalente a uma criança de 50kg sentada apenas em uma fas vigas horizontais do topo da estrutura, para evitar subdimensionamento. Esses componentes tem carregamentos em locais diferentes e que foram considerados na simulação.

A criação da malha foi feita por elementos de viga BEAM181 a fim de obter velocidade computacional enquanto se mantém qualidade de resultados, respeitando a geometria da estrutura em metalon.

Os resultados de tensão equivalente e deformação total não configuram criticidade à estrutura, garantindo a integridade da estrutura interna. A condição crítica adotada foi o limite de escoamento do metalon, sendo tensão a equivalente de Von-Mises simulada em comparação à tensão de escoamento (250 MPa), e a deformação total máxima em comparação à deformação de escoamento (1.19 microns ou até 1 mm de alongamento longitudinal). Esses resultados estão nas figuras abaixo.

Deformação total da estrutura externa Tensão equivalente da estrutura externa

Projeto Hidráulica

Por se tratar de um sistema de irrigaçaõ e cultivo hidropônicos, é necessário que haja um reservatório de capacidade grande e que se garanta a circulação em baixa velocidade de água e nutrientes, necessário para o crescimento saudável das plantas ao absorver a quantidades adequadas dessas substâncias. Para isso, a escolha da bomba a ser utilizada é determinante na qualidade do produto final. Além disso, o projeto hidráulico desse sistema inclui inserção de nutrientes diluidos, que tem irrisória influência no volume total, e reposição de água no reservatório, feito apenas quando necessário. Por isso, esses dois últimso fatores não foram incluidos no dimensionamento da bomba.

O diagrama do projeto hidráulico está disponível na figura abaixo.

Diagrama Hidráulico

A escolha de uma bomba para sistemas hidráulicos é baseada na sua potência útil. Ela deve garantir o ganho de elevação e suprir a perda de carga gerada pela distribuição da tubulação. Dessa forma, essas duas quantidades devem ser determinadas.

Ganho de elevação geométrica

Geometricamente, a bomba deve ser posicionada na mesma altura que o piso do reservatório principal, a fim de que a variação do nível da água não isole a bomba do contato com o líquido. Como explicado no projeto da estrutura interna, o ganho de altura do piso até o centro do tubo mais alto é de 30 cm (0.3 m), sendo esse ganho de elevação considerado para dimensionamento da bomba. A perda de carga, isto é, distância horizontal sob ação de atrito e mudanças geométricas que gerem efeito equivalente a ganho de elevação, é determinada separadamente em perda localizada e distribuida.

Perda de carga localizada

A perda de carga localizada é obtida experimentalmente e fornecida em catálogos técnicos dos fabricantes, nesse caso a Tigre, e possui valores variados para cada dimensão e formato de componente diferente. Como os acessórios à tubulação são apenas conectores do tipo Joelho de 90º para tubos de 40 mm de diâmetro, confere-se o seu valor unitário de perda de carga de 2.0 m por joelho adicionado, totalizando 24.0 m de perda de carga localizada.

Perda de carga distribuida

Para a perda de carga distribuida, é necessário usar a equação de Darcy-Weissbach, que por sua vez precisa dos valores dos comprimentos característicos, da aceleração da gravidade, da velocidade do escoamento, e do fator de atrito da tubulação.

Equação de Darcy-Weissbach

Os comprimentos característicos são o diâmetro ddos tubos (40 mm) e o comprimento total da tubulação (2.8 m) obtido dos desenhos técnicos anexos. A aceleração da gravidade é conhecida (9,81 m/s²).

A velocidade média do escoamento é obtida pela vazão de água do sistema, que é devida apenas à absorção de água das plantas, normatizadas pela Embrapa. Visando dimensionamento para condições mais críticas, hortaliças de maior massa foliar, como couve, acelga e alface, podem consumir até 800 mL de água por dia. Além disso, é razoável considerar o escoamento de tubo preenchido, uma vez que a fricção com a água é muito maior que a fricção com o ar, garantindo que está dimensionado com segurança, o cálculo da velocidade de escoamento considera a área total de seção transversal do tubo. Essa velocidade é utilizada também para cálculo do número de Reynolds (Re) do escoamento.

Já o fator de atrito é obtido pelo diagrama de Moody, desenvolvido empiricamente e disonível na figura abaixo, que leva em consideração a rugosidade relativa do tubo e o Re do escoamento. A depender da vagareza que a água escoa, é necessário usar calculadoras online como a Advanced Delphi Systems. O fator de atrito obtido foi de aproximadamente 0.45.

Diagrama de Moody

Desse modo, é finalmente possível substituir os valores conhecidos e obtidos na equação de Darcy-Weissbach e obter perda de carga distribuida de 3.16e-09 m, irrisória em comparação à perda localizada.

Potênica da bomba

Com a perda de carga total de aproximadamente 24.3 m, e com uma vazão requerida de 800 mL/dia (5.55e-8 m³/s), é possível calcular a potência útil necessária da bomba, segundo a equação abaixo.

Cálculo de Potência de bomba

O valor final obtido para potência de bomba foi de 0.0132 W (13.2 mW) de potência requerida, o que é bem abaixo das potências disponíveis no mercado. Dessa forma, cabe ao projeto eletrônico reduzir a potência da bomba adquirida para garantir bom funcionamento da circulação do escoamento.

Todos os cálculos necessário foram feitos utilizando código em MATLAB criado pelos autores.

Referências

  • KRAJEWSKI, Lee J.; RITZMAN, Larry P.; MALHOTRA, Manoj K. Administração de produção e operações. 8. ed. São Paulo: Pearson, 2012. xiv, 615 p. ISBN 9788576051725.

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 08403: Aplicação de linhas em desenhos - Tipos de linhas - Larguras das linhas Rio de Janeiro, 1984.

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10067 - Princípios Gerais de Representação em Desenho Técnico, 1995

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10068 - Folha de Desenho - Leiaute e Dimensões, 1987

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10126 - Cotagem em Desenho Técnico, 1987

  • TIGRE TG-085-16 - Orientações para instalações de Água Fria, 2016

  • EMBRAPA - Água para hortaliças, 2016

Versionamento

Versão Data Modificação Autor
Versão Data Modificação Autor
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0.1 29/11/2024 Criação do documento X
1.0 29/11/2024 Versão 1 estrutura externa Teodoro
1.2 30/11/2024 Atualizações externas Teodoro
1.3 30/11/2024 Assembly estrutura externa corrigida Teodoro
1.4 01/12/2024 Assembly Parcial Teodoro
1.5 02/12/2024 Assembly Parcial V2 Teodoro
1.6 02/12/2024 Projeto da Estrutura Interna Michele Andrade
1.7 02/12/2024 SImulações Numéricas Pedro Dionísio
2.1 20/01/2024 Simulações Numéricas corrigidas e correção de texto Pedro Dionísio
2.2 20/01/2024 Dimensionamento da Bomba Pedro Dionísio
2.3 20/01/2024 Atualização da estrutura interna - Apoio Interno Michele Andrade
2.4 20/01/2024 Diagrama hidráulico Pedro Dionísio
2.5 20/01/2024 Atualização da estrutura externa Teodoro Kowalski
2.6 20/01/2024 Atualização de design modular e componentes Louyse Lopes
2.7 20/01/2024 Atualização da estrutura interna - Serpentina Michele Andrade
2.8 20/01/2024 Atualização da configuração e funcionalidade Louyse Lopes
3.0 09/02/2025 Atualização do design e componentes Michele Andrade